27.6.08

novo amor



meu coração nunca pára
pra comparar, solta amarras,
vive seu tempo presente:
se ferido, em mim se ampara;
mas quando sara e se sente
contente, fica eloqüente,
feito algazarra de araras.



(Leila Míccolis)

25.6.08

jardim da fantasia


teu malmequer,
bem-me-quer
despetalou
o nosso affair








22.6.08

não mais


é pena! não sirvo mais pra você
não faço mais parte dos teus planos
não encho mais tua vida de alegria
não há mais amor, só desenganos

meus braços não te aquecem mais
já tens outro peito para travesseiro
o prazer outrora voraz, sobranceiro
tornou-se mais seco, esguio, fugaz

nem colo, nem poemas, nem fado
não queres mais dormir ao meu lado
nem fim de semana nem dia de feira

te digo cabrocha de lábios de lima
o que foi exposto nos versos acima
a recíproca a tudo é verdadeira





20.6.08



são luís ilha gazil
da poesia, o alcantil
o amor nasceu aqui
e aqui o amor sumiu
se perdeu numa canção
dizem, no canto da viração
hei de encontrá-lo (o amor),
são luís do maranhão
se a busca for inglória
o amor tiver morrido
que brote da terra outro
ou o mesmo renascido



18.6.08

Chanson



Disse a meu peito, a meu pobre peito:
— Não contentas co’uma só amante?
Pois tu não vês que este mudar constante
Gasta em desejos o prazer do amor?

Ele respondeu: — Não! não me contento;
Não me contento com uma só amante,
Pois tu não vês que este mudar constante
Empresta aos gozos um melhor sabor?


Disse a meu peito, a meu pobre peito:
— Não te contentas desta dor errante?
Pois tu não vês que este mudar constante
A cada passo só nos traz a dor?

Ele respondeu: — Não! não me contento,
Não me contento desta dor errante...
Pois tu não vês que este mudar constante
Empresta às mágoas um melhor sabor?



(Alfred de Musset (1810-1857), dramaturgo, poeta e novelista francês, nascido em Paris, local onde faleceu 47 anos depois. Tradução de Castro Alves.)

17.6.08

(e)moção


a lua cheia me inspira
também o mar, a moça
amor, liberdade, a vida
planta surgindo na roça
conversa de bar e bebida
um riso depois da troça
mas inspiração maior ainda
com ela não há quem possa
é ver desnuda, querida
tuas lindas coxas grossas

16.6.08

ojeriza

nem preconceito
nem pós-conceito
só não gosto
do seu jeito



14.6.08

sina

pobre
coração
imprudente

que fustiga
uma alma
valente

que desperta
um desejo
indecente

que sofre
por viver
afoitamente

e que morre
se fizer
diferente




12.6.08


“O meu amor por 
mim é maior,
incondicional 
e recíproco!”










Escrevi esta frase no espelho do banheiro, em algum dia, com
algum batom esquecido por alguma das minhas ex-mulheres.






11.6.08

poeminha desejoso

já estamos de um jeito
que já não tem mais jeito
ou eu te beijo e tu me beijas
ou tu me beijas e eu te beijo

10.6.08

melancolia


depois que você se foi
deixei de fazer poemas
meus dias viraram noites
as noites, mil quarentenas

a água do mar secou
perdeu o cheiro a açucena
briguei com o dono do bar
violão calou, pequena

encantos não vejo mais
desprezo divas, sirenas

o sangue sumiu das veias
viver deixou de valer a pena



9.6.08



sem saudade de você
sem saudade de mim
o passado passou enfim


(alice ruiz)

8.6.08

não me basta
apenas tua
estrela
quero tua noite
inteira

5.6.08


antagonia

meus cérebro 
e coração
cada qual 
segue uma 
direção



4.6.08


Já na terceira paixão Fantine sofreu o seu primeiro desengano. O amor que Marlom sentia, ela pensava, duraria até o fim da vida. Mas, o pequeno falcão voou com o término do primeiro inverno. E o coração da doce menina ficou amargo. Ela jurava jamais apaixonar-se outra vez quando foi aconselhada por Voltaire: "Fantine, as paixões são como ventanias que enfunam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveria viagens, nem aventuras nem novas descobertas." Então ela reconstruiu seu barco e o tocou para frente.


3.6.08

2.6.08


espreito
aquele peito
que por desfeito
tirou-me o leito