8.7.09

amor canalha


saudade segue a fio
cortando o peito vazio
com a destreza do fio
de uma navalha

ao coração anuncio:
aventure-se num rio
de desejos no cio
ou coisa que valha

este sentimento vil
que o tornou servil
lenha à beira da fornalha

roubou dele o brio
somente ele não viu
é um amor canalha




6.7.09

prece


que eu saiba
perdoar
também os
que ofendi...







1.7.09



acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido

(paulo leminski)





20.6.09

tenho amores
internos e externos.
todos ternos.
uns, efêmeros
outros, eternos




17.6.09



Como já me descobri por inteiro e não procuro mais minha outra metade. Como acredito que Deus, o onipotente, escolheu ser único, portanto, apenas os mortais tolos temem a solidão. Como já comprovei que a solidão é capaz de me lançar num mar de deliciosas aventuras e excitantes incertezas, fazendo com que eu me sinta verdadeiramente vivo...


... Há noites em que a lua, as estrelas e eu nos bastamos.




8.6.09

soneta



de uma costela? que nada!
saiu de dentro do peito
deus, o maior dos poetas,
fez a mulher de um soneto

não de um monostrófico
ou de um petrarquiano,
fez de um soneto divino
talvez shakespeareano

pobres mortais desconhecem
o rigor da rima e da métrica
e quem tenta recitá-lo
sempre nos versos tropeça.

catorze versos, deu-me veneta,
faço justiça, chamo soneta



1.6.09

 
 
aquele monstro que você pensou que era
um bobo covarde que só fala besteira,

vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras



 (martha medeiros)
 

26.5.09

 
 
borboleta no leito
abre em rosa
pedra que trago no peito
 
 

25.5.09

fim de semana


 
quinta é uma festa, sexta, uma sesta
todos os namorados estão de 
mãos entrelaçadas porque 
hoje é sábado” (da semana, a flor)
“hoje é sábado, amanhã é domingo”,
40 horas debaixo do cobertor
“desejo, necessidade, vontade”
e uma segunda-feira cheia de saudade
 

 

21.5.09

 

 

Eu sou apenas uma criança que compreende.

Sei o diâmetro da bola, circunferência, peso, distância da marca do penalti até a meta e a força que deve ser empregada no chute para que ela percorra numa velocidade indefensável.

Eu sei.

Mas prazer de verdade sinto é quando encaixo a bola no peito, ajeito para chutá-la no gol e comemoro o feito com uma cambalhota.

Por isso sempre rezo como Adélia Prado: “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande”.

 

 

20.5.09


 
 
um navegante jamais
terá um porto seguro
enquanto deixar o passado
ser maior que seu futuro
 
 
 



18.5.09

 
 
quero como veste
um amor que 
me complete,
me complique, 
me consteste,
me explique e 
me complexe!
 
 
 

15.5.09

 
 
Como será que faz amor
quem não gosta de poesia?
Quão frios serão seus gestos
ao tocar o corpo amado?
Que palavras secas dirá
talvez ao declarar suas paixões?
Como falará da lua?
Como será que beija flores?
Com quanta suavidade riscará
o fósforo para acender a vela?
Com que candura entornará
o vinho para encher a taça?
Como será que faz amor
quem não gosta de poesia?"
 

(edson marques)

 

 

12.5.09




se toda musa tivesse 
um pouco de fernanda, 
todo poeta teria 
um muito de pessoa




11.5.09



chegou na minha casa cheio 
de olhares e poucas palavras
trouxe champanhe, sentou 
na cadeira tentou me abraçar
me desculpei:
—  hoje não que eu não ensaiei

(martha medeiros)