30.11.07

prece


um poeta
sem inspiração

pede a deus
em oração
uma tempestade
de devaneios
ou chuva de dores
no coração



29.11.07

crime passional

dois corpos caídos. duas famílias atônitas.
um bilhete escrito: "fui o primeiro a saber".


28.11.07

26.11.07

salvação

foi salvo pela má pontaria. ele jogava
pedra na cruz, mas sempre errava.





25.11.07

idade

o nome das pessoas também envelhece.
nasceu antonio silva tavares. cresceu toninho.
virou tony aos 17. morreu seu tavares aos 65.





24.11.07

achado


desenterraram uma ossada. no buraco havia vestido, calcinha e lenço. a ossada era de um jumento.





22.11.07

cantilena

foram meus poemas
feitos a duras penas
com próposito apenas
de te agradar

sermos macho e fêmea
cálice e patena
vida eterna, plena
foi meu pelejar

mas você, sirena
de alma pequena
desdenhou, é pena
deste amor sem par


e deus, um mecenas
me vendo gangrena
novo amor, verbena
pôs em teu lugar




21.11.07


retirante

saiu de casa moço
fugiu do roço
grande alvoroço





(a imagem que ilustra este poema é “menino retirante segurando bauzinho”, de candido portinari. uma pintura com tinta a óleo sobre tela de tecido feita em 1947. o original tem um metro de altura por 81 centímetros de largura.)





o ciúme, dileta,
limita os versos
reversos do poeta




20.11.07


as margaridas
mais garridas
adoçam (viva!)
amargas vidas

19.11.07



floresta de pedra
que vivo agora
sem fauna, sem flora





18.11.07




as flores da despedia
serviram para o enterro
da solidão (a dois) vivida





17.11.07

influências

garoto
roto
esto
de resto
desejo
ermo
modo
modesto
chegou
calado
almejou
ser ado
ansiou
ser edson
resvalou
foi marco



(poeta, ainda chego lá)



não mais

é pena! não sirvo mais pra você
não faço mais parte dos teus planos
não encho mais tua vida de alegria
não há mais amor, só desenganos

meus braços não te aquecem mais
já tens outro peito para travesseiro
o prazer outrora voraz, sobranceiro
tornou-se mais seco, esguio, fugaz

nem colo, nem poemas, nem fado
não queres mais dormir ao meu lado
nem fim de semana nem dia de feira

te digo cabrocha de lábios de lima
o que foi exposto nos versos acima
a recíproca a tudo é verdadeira



16.11.07




queria ter vida eterna

para, a cada dia,
morrer de amor






14.11.07

auto-retrato

amores,
calores
ao sabor
do vento

poemas,
problemas,
dilemas,
tormentos

atreito a
defeitos,
conceitos
trezentos

enlevado,
exaltado...
é meu jeito,
lamento




13.11.07

promessa

por um beijo teu
juro por deus
deixo de ser ateu



12.11.07

sempre
derrapo
na rima
nas curvas
do corpo
da menina

11.11.07

beija-flor

varoa de jeito doce
azedou-me, um chupa-mel
fez insosso o meu sal,
me deixou amargo, fel

transformou em dissabor
minha vida de sabores
deliu estrelas do céu
e nada de mais amores

mas o tempo ilibador
vai curar este estupor
haverá novos banquetes

novas flores, novo amor
e um moço beija-flor
renovado aos ramalhetes



10.11.07

9.11.07

aritmética


some-se a mim

diminua a dor
multiplique o desejo
divida o amor





8.11.07



É mais feliz quem não depende
das verdades alheias para viver




7.11.07

6.11.07

blue

versos como
os que escrevi
outros escreverão

canções como
as que inventei
outros cantarão

já me substituiu
artesão mas hábil
na oficina

outras bocas
te revelarão
volúpia mais fina

tudo o que morrer
comigo em mais bela
forma o mundo verá

perdoem-me pela parcela
mínima, porém única,
que não se repetirá


(cassiano nunes)





2.11.07

lição
partiu e partiu
meu patético peito.
bem feito!

quem sabe ele
aprende a viver
do meu jeito

sem dono,
sem casa,
num saara afeito

paixão exclusiva
não pode.
é preceito

tentou foi surrado,
pisado,
despeito

achou quem
não soube amar,
desproveito

agora, vê
se aprende e
procede direito




1.11.07




a dor passou.
tanta lágrima
derramada apagou
a chama do amor



ultimato




Deve-se amar o próximo como a si mesmo. mas, olhos de azeviche, este coração é pequeno demais pra nós dois.