5.1.10

que assim seja


seja de inverno
ou de verão
seja de carnaval
ou de são João
amores vêm
amores vão

23.12.09

Mudemos todos

Ontem sonhei que o Albert Einstein passeava no parque do Bom Menino com sua cadelinha de estimação Luz — uma Saluki, presente do irmão Jacob. O cientista vestia calção azul, estava sem camisa, calçava sandálias havaianas e usava uma bolsa de couro a tiracolo. No cabelo, tranças.

Depois de um longo passeio, Einstein sentou-se para tomar cerveja num carrinho de cachorro-quente instalado debaixo de uma amendoeira. Fazia muito calor... Sentei-me ao lado. Ele me ofereceu um gole. Enquanto bebíamos, falávamos sobre seus ideais pacifistas. Nenhuma palavra sobre física quântica.

Atento a conversa, o dono da barraquinha deu sua opinião: “A humanidade só alcançará a paz quando for instalada a tolerância plena no mundo, quando cada indivíduo aprender a respeitar o direito do outro ser diferente”. Neste momento foi chamado de insano por uma senhora gordalhona que comia um cachorro-quente e tomava suco de cupuaçu, ao que Einstein interveio: “Minha senhora, não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”.

Acordei e lembrei-me do Edson Marques, que grita todos os dias no meu ouvido. “Marco, só o que está morto não muda!”. Mudemos todos, então.


27.11.09



a lua cheia inspira
também o mar, a moça
amor, liberdade, a vida
planta surgindo na roça
conversa de bar e bebida
um riso depois da troça
mas inspiração maior ainda
com ela não há quem possa
é ver desnuda, querida
tuas lindas coxas grossas





24.11.09

Salvando o relacionamento


eu sei, meu bem,
que seu sonho era comer
uma sueca alta loura boa

finge, meu amor
fecha o olho e finge

o meu cabelo
a gente tinge.


(Ana Elisa Ribeiro)

16.11.09



versos abstersos
o poeta expressa
a palavra lavra
pela rima prima
e o verso asperso
doce como uva
feito amor no peito
cai como uma luva







10.11.09



teu amor já não me serve mais,
meu coração fechou pra balanço.
balança por outra!

29.10.09


“Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice ?’. Tudo mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”.


(Friedrich Nietzsche)




27.10.09



comida do meu corpo
alimento do meu coração
meu sal, meu salmo
meu salmão




21.10.09



a todas me dei por inteiro
sem meias palavras, a ninguém neguei nada
nem às estudantes
que tinham direito à meia-entrada





18.10.09


apagou meu passado,
acendeu meu presente,
sem ela não há futuro


15.10.09


hábil surdo
mas nunca mudo
cego, talvez
jamais os três



12.10.09




Não sei se amo
Ou se mato

Ou calo
Ou racho

Não sei o quanto minto
Ou fico
Ou sinto

Ou choro
Ou sento
Não sei como te agüento



(Ana Elisa Ribeiro)



6.10.09



Quando certos acontecimentos me tiram o chão, feito uma águia, vôo alto para além da tempestade, com as lindas asas da minha imaginação. Mas entendo quem prefira um poleirinho com pouco mais de um metro de altura, farelos e um punhadinho de milho.





1.10.09



feito a tinta para quem pinta
feito a uva para arinta
feito carnaval para o trinta
teu beijo de primeira
é essencial nesta quinta




30.9.09



noite em claro
eu aqui pensando...
você dormindo
e eu sonhando