5.3.10

te quero
porque quero
não importa
se indultário.
ou adultério

26.2.10



o amor, a lua,
o vinho,
poesias
do Mário
Quintana...
...quanta saudade
sinto da tua
cama!

24.2.10



saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o desconhecido
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
eu não lhe provei as lágrimas
é no líquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se reconhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados

(Martha Medeiros)



22.2.10

aladim alado




se eu encontrasse uma lâmpada
se a lâmpada tivesse um gênio
se o gênio relizasse (três) desejos
pediria de volta o primeiro amor,
o amor penúltimo,
e os amores do meio



9.2.10



para fazer uma campina
basta um trevo e uma abelha.
trevo, abelha e fantasia.
ou apenas fantasia
na falta de abelhas.




(Emily Dickinson)

25.1.10

CARNAVALIZAÇÃO

reencarno
no carnaval
encarnado.
farra de um fanfarrão
fantasiado.

máscaras, marchas,
marcho, troto, galopo.
eu sozinho viro um bloco.

danço, canto, encanto-me.
linda menina,
uma colombina.

doce amor
roubado de um pierrô
apaixonado que errou
e chorou.

quimérico arlequim.
folião de uma ilusão
que não tem começo.
nem fim!


19.1.10

O outro


só quero
o que não
o que nunca
o inviável
o impossível

não quero
o que já
o que foi
o vencido
o plausível

só quero
o que ainda
o que atiça
o impraticável
o incrível

não quero
o que sim
o que sempre
o sabido
o cabível

eu quero
o outro

(Chacal)



13.1.10

cantilena


foram meus poemas
feitos a duras penas
com próposito apenas
de te agradar

sermos macho e fêmea
cálice e patena
vida eterna, plena
foi meu pelejar

mas você, sirena
de alma pequena
desdenhou, é pena
deste amor sem par

e deus, um mecenas
me vendo gangrena
novo amor, verbena
pôs em teu lugar



5.1.10

que assim seja


seja de inverno
ou de verão
seja de carnaval
ou de são João
amores vêm
amores vão

23.12.09

Mudemos todos

Ontem sonhei que o Albert Einstein passeava no parque do Bom Menino com sua cadelinha de estimação Luz — uma Saluki, presente do irmão Jacob. O cientista vestia calção azul, estava sem camisa, calçava sandálias havaianas e usava uma bolsa de couro a tiracolo. No cabelo, tranças.

Depois de um longo passeio, Einstein sentou-se para tomar cerveja num carrinho de cachorro-quente instalado debaixo de uma amendoeira. Fazia muito calor... Sentei-me ao lado. Ele me ofereceu um gole. Enquanto bebíamos, falávamos sobre seus ideais pacifistas. Nenhuma palavra sobre física quântica.

Atento a conversa, o dono da barraquinha deu sua opinião: “A humanidade só alcançará a paz quando for instalada a tolerância plena no mundo, quando cada indivíduo aprender a respeitar o direito do outro ser diferente”. Neste momento foi chamado de insano por uma senhora gordalhona que comia um cachorro-quente e tomava suco de cupuaçu, ao que Einstein interveio: “Minha senhora, não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”.

Acordei e lembrei-me do Edson Marques, que grita todos os dias no meu ouvido. “Marco, só o que está morto não muda!”. Mudemos todos, então.


27.11.09



a lua cheia inspira
também o mar, a moça
amor, liberdade, a vida
planta surgindo na roça
conversa de bar e bebida
um riso depois da troça
mas inspiração maior ainda
com ela não há quem possa
é ver desnuda, querida
tuas lindas coxas grossas





24.11.09

Salvando o relacionamento


eu sei, meu bem,
que seu sonho era comer
uma sueca alta loura boa

finge, meu amor
fecha o olho e finge

o meu cabelo
a gente tinge.


(Ana Elisa Ribeiro)

16.11.09



versos abstersos
o poeta expressa
a palavra lavra
pela rima prima
e o verso asperso
doce como uva
feito amor no peito
cai como uma luva







10.11.09



teu amor já não me serve mais,
meu coração fechou pra balanço.
balança por outra!

29.10.09


“Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice ?’. Tudo mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”.


(Friedrich Nietzsche)